Fonoaudiologia na paralisia facial





Estresse, infecções virais (herpes zoster), acidente, tumor, trauma, choque térmico e outras complicações podem ser algumas das causas da paralisia facial. O distúrbio é caracterizado pela ausência ou diminuição dos movimentos da musculatura do rosto, provocada por uma alteração do nervo facial, um dos 12 nervos cranianos, responsável pela parte motora dessa região do corpo. O estresse é uma das maiores causas da doença, que exige tratamento prolongado e multidisciplinar.

A fonoaudióloga estética Valesca Resende, especialista em alterações sensório-motoras pela Universidade de São Paulo (USP), lembra que, além dos prejuízos físicos, de perda da musculatura, da sensibilidade e, em alguns casos, do paladar e do olfato, os pacientes apresentam deficiências emocionais, afastando-se do convívio profissional e social. "Uma coisa é termos uma espinha que nos incomoda. Outra, é ter a imagem desfigurada", afirma. Os tipos e a intensidade da paralisia facial variam. Em alguns casos, pacientes não têm sensibilidade na testa e nos olhos; em outros, nos olhos e na boca, e assim por diante.

Valesca tem tido resultados eficazes com a ginástica facial, que alia exercícios, drenagem linfática, crioterapia (aplicação de baixas temperaturas) e acupuntura, para tratar pacientes com paralisia no rosto. A drenagem linfática ajuda na redução dos edemas (inchaço) da face, sessões de shiatsu diminuem as dores, a acupuntura atua no enrijecimento da musculatura, e a ginástica facial trabalha uma gama de funções – mastigação, deglutição, olfato e comando dos músculos.

O tratamento não tem prazo definido, porque a condição clínica dos pacientes varia muito. "Há casos de pessoas com mais de 20 anos de paralisia e que, com três meses, já desenvolvem várias habilidades como o retorno da musculatura à normalidade." Inicialmente, a fonoaudióloga faz uma investigação sobre o histórico do paciente, além da avaliação de fatores como a tonicidade da pele, a fala, a mastigação e a articulação.

Embora alguns artigos científicos atestem que o choque térmico (entrar em contato com o frio e o quente ou vice-versa), provoquem paralisia, Valesca e outros especialistas discordam desses estudos. "Geralmente, quando fazemos a avaliação do histórico dos pacientes, muitos relatam problemas financeiros ou psicológicos, que explicam o distúrbio", contesta.

A fonoaudióloga acrescenta que parte da recuperação depende única e exclusivamente do próprio paciente, já que vários exercícios são desenvolvidos em casa. "Não adianta somente fazer o tratamento no consultório. O paciente tem que se esforçar."

Alegria

Daiana Caroline da Silva, de 21 anos, hoje fala, com alegria, do tratamento que faz para se livrar de uma paralisia facial adquirida há 9 anos, depois de um acidente de carro. Além de ter sido vítima de traumautismo craniano, fraturar o braço, perder a visão e a audição do lado direito, e permanecer no centro de tratamento intensivo (CTI) por 26 dias, ela não se lembra exatamente do que ocorreu. "Na vi nada, fiquei em coma profundo e depois em coma induzido. Tive convulsão e princípio de pneumonia. Somente três meses depois é que comecei a entender que havia sofrido um acidente."

Em tratamento há pouco mais de um ano, ela já observou avanços, apesar de admitir que não é muito aplicada com os exercícios em casa, por falta de tempo. O olho direito, que antes estava muito seco e a incomodava, já lacrimeja normalmente. A boca, que antes estava deformada, voltou ao normal, e a fala está perfeita.

Atualmente, Daiana é assessora de gabinete na Câmara Municipal, em Brumadinho, a 53 quilômetros de Belo Horizonte. Tem uma vida normal e diz que mudou radicalmente depois do tratamento. "Dois anos depois do acidente, fiquei revoltada, e o preconceito partiu de mim mesma. Achava que as pessoas iam me tratar de forma diferente por causa do meu rosto", comenta.

Saiba mais

• Sintomas como desvio dos lábios para um dos lados do rosto, imobilização da pálpebra, impedindo o fechamento ou abertura do olho, alteração no lacrimejamento, além da sensação de formigamento na pele e perda de sensibilidades olfativa e degustativa são comuns em pacientes com paralisia facial.

• A alteração no rosto pode ocorrer por influência de vírus ou bactérias, por lesão, disfunção metabólica, falta de irrigação sangüínea na região neural, por influência de toxinas ou até por fatores congênitos, além de também estar associada ao estresse e traumas de face.

• O tratamento fonoaudiológico para alterações funcionais e estéticas da face ainda é bastante desconhecido, tanto no meio médico quanto entre os fonoaudiólogos. Durante anos, os tratamentos se restringiram à reabilitação fisioterápica, com uso de estimulações elétricas e das cirurgias reparadoras, como também a espera por uma recuperação espontânea.

• A avaliação criteriosa dos pacientes é fundamental para a elaboração de um programa de tratamento a partir das alterações e disfunções observadas. O conhecimento detalhado da história clínica, a análise dos exames realizados, o exame de tônus muscular de toda a musculatura facial, testes de sensibilidade e de coordenação são subsídios que permitem um tratamento adaptado e personalizado, em função das deficiências e da capacidade do paciente para controlar seus músculos.

Retirado de http://www.saudeplena.com.br

Fonoaudiologia na paralisia facial Fonoaudiologia na paralisia facial Editado por Dani Souto on 09:05 Nota: 5

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